quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Marrakech, Marrocos - Como chegar, onde ficar, a Medina, os Souks, a praça Jemaa El-Fna, a Mesquita Koutoubia, o Mercado de Artesanato e as Muralhas de Marrakech

Marrakech, Marrocos

Como chegar, onde ficar, a Medina, os Souks, a praça Jemaa El-Fna, a Mesquita Koutoubia, o Mercado de Artesanato e as Muralhas de Marrakech.

Pôr-do-sol na Koutoubia
Marrakech é a quarta maior cidade do Marrocos, com quase 1 milhão de habitantes na área urbana. É chamada a "cidade vermelha", por causa da cor das casas e construções, de uma forma geral, predominantemente num tom avermelhado. Essa é uma característica do Marrocos, em que cada cidade costuma ter uma cor predominante, como é o caso de Fez em tons amarelados, Casablanca em branco etc.
Marrakech - Marrocos
Marrakech, cidade vermelha
Marrakech fica a sudoeste 327 km da capital Rabat e é a cidade mais importante do Marrocos, a que atrai mais turistas. É tida como a mais européia das cidades do Marrocos. Sua localização, entre o deserto do Saara (que em árabe quer dizer Grande Deserto) e a cordilheira do Alto Atlas, permite um passeio no deserto e também esquiar na neve, acredite.
Marrakech - Marrocos
Passeio pelo Deserto do Saara
Esquiando em Ouikaimeden, no Alto Atlas
Foi fundada em 1.062, mas por ali viviam tribos bérberes desde cerca de 3.000 aC. De Marrakech partiram ou mouros que dominaram a Andaluzia na Espanha. E vieram de lá os artesãos que realizaram maravilhosos trabalhos nos palácios da cidade.
Se quiser saber mais, acesse Marrakech , ou o site oficial de Marrakech (em francês). Ah, detalhe importante, sempre há alguém que fale inglês nas rotas turísticas, mas saindo dela, a língua mais falada pela população comum é o francês. Principalmente as pessoas mais antigas se comunicam melhor em francês. Aliás, as placas de sinalização da cidade estão em árabe e em francês.
Marrakech - Marrocos
Placas de sinalização em árabe e francês

Clique no mapa (Mais opções) para ampliar e ver os pontos em destaque neste post

A moeda no Marrocos é Dirham, e como nossa moeda, às vezes é instável, acesse o conversor aqui para converter o câmbio no dia.

Marrocos
Dirham, a moeda do Marrocos
A cidade é claramente dividida em duas partes, a cidade velha (Medina) e a cidade nova. A diferença é enorme, em tudo, nas construções, nas ruas, e até nos costumes.

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Rua típica da cidade antiga (Medina) de Marrakech
Marrakech - Marrocos
Avenida típica da cidade nova de Marrakech
Então, a primeira grande dica é o local de hospedagem em Marrakech. Se você quiser se sentir realmente numa casa do Marrocos, deve hospedar-se num riad (jardim em árabe). Todos ficam na Medina (cidade velha). São antigas casas adaptadas para funcionar como hotéis, cuja principal característica é o formato quadrado da construção, totalmente fechada para o exterior (há apenas a porta de entrada, sem janelas nem outras portas) e os cômodos voltados para o jardim interno (não necessariamente jardim com verde e flores, mais como um jardim de inverno no ocidente).

Maquete ilustrativa de um riad, com o pátio interno
Assim, segundo nos explicou o Mohamed (mais da metade dos homens marroquinos se chamam Mohamed - Maomé como o chamamos em português), do Riad Nasreen (Jardim da Vitória em árabe) eram mansões em que os homens ricos viviam com suas esposas. Cada uma tinha seu próprio espaço, às vezes com mais de um quarto (sem janelas para o exterior), mas todas usufruíam do riad e demais áreas comuns. Nós curtimos muito a hospedagem e recomendamos essa experiência.

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Sala de TV do Riad Nasreen
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Detalhe de decoração do teto do Riad Nasreen
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Pátio interno do Riad Nasreen
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Vista oposta da Douiria El Menzeh do Riad Nasreen, com 62 m² de área, muito legal
Se você preferir todo o conforto do mundo ocidental atual, deve hospedar-se num hotel da área nova da cidade. Por lá estão hotéis locais e também os das grandes redes, alguns deles super luxuosos. Os hotéis de bom padrão são, em geral, mais baratos que os riads. Você pode selecionar as opções acessando o Booking ou o Tripadvisor.

Para ajudá-lo a decidir, se nós fôssemos pela 1ª e única vez a Marrakech, escolheríamos sem dúvida um riad, ou seja, faríamos tudo igual. Mas voltando numa 2ª vez, achamos que ficaríamos num hotel da área nova da cidade. Para quem nunca foi a Marrakech, encontrar seu riad ou qualquer coisa na Medina é muito, mas muito difícil. Os táxis não entram na área da Medina, o GPS não funciona (fica sem sinal), as ruas não tem nome nem número, nenhum mapa é razoavelmente preciso para a área, todas as construções parecem iguais e não adianta marcar pontos de referência, quando você volta, parece tudo igual, um labirinto, e você se perde. Aí, quando se perde e faz aquela cara de cachorro perdido, aparecem mil marraquexis oferecendo ajuda (em troca de dinheiro, é claro), é um desespero. Mas o clima do riad, para nós ocidentais, é uma experiência fantástica.

Portanto, se for se hospedar num riad, combine o traslado com o pessoal de lá para buscá-lo no aeroporto, pois os taxistas não vão saber chegar até lá, e muito menos ajudá-lo a atravessar a área destinada só a pedestres, motos e carroças.

Trânsito na Medina, sem acesso para táxis e carros
Já que falamos em aeroporto, para se chegar a Marrakech de avião, o melhor ponto de partida é a França. Os melhores preços de passagem, o maior volume de vôos e as melhores combinações com hotéis são os que partem de Paris. Pensávamos que Portugal ou Espanha fossem a melhor opção em função da proximidade com o Marrocos, mas não, é Paris mesmo. Pesquise as opções na Air France e na Royal Air Maroc, ou nas low cost companies Ryanair ou Easy Jet.
Ao chegar em Marrakech, os formulários de imigração são em árabe e em francês. Não vimos a opção em inglês por lá. Brasileiros não precisam de visto para entrar no Marrocos, de forma análoga à Comunidade Européia. O aeroporto tem um design moderno, mas é pequeno, o sistema operacional é ultrapassado e o pessoal da imigração é bem grosseiro com todos os passageiros.

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Aeroporto de Marrakech
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Lobby do aeroporto de Marrakech
Nós fomos num vôo da Ryanair de Madrid, com tripulação espanhola e passageiros predominantemente marroquinos, e rolaram alguns problemas e discussões acaloradas no trajeto. O tratamento da Ryanair deixa a desejar e não pretendemos voltar a voar com eles.

A chegada a Marrakech marca as diferenças culturais. As mulheres precisam cobrir pernas, braços e ombros. É recomendável cobrir os cabelos também. Mesmo assim, os árabes ficam encarando. A gente vê algumas turistas mais à vontade, mas sempre em grupos de turismo e nota-se claramente o desconforto dos árabes, resmungando e destroçando com os olhos. Não seria diferente para um povo que obriga muitas de suas mulheres a usarem a burca. Os homens também se vestem mais cobertos.

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Mulheres marroquinas costumam cobrir todo o corpo...
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...mas a maioria dos homens também...
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... até mesmo as mulheres mais modernas se cobrem todas
Por lá não permitem visitas às mesquitas aos "infiéis". Assim, só se pode contemplá-las por fora se você não for muçulmano.
Como curiosidade, 5 vezes por dia você vai ouvir os chamados para as orações dos minaretes das mesquitas, e é comum ver quem não pode ir até lá se ajoelhar pela cidade mesmo para orar.

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Hora da oração dos muçulmanos
Caminhando pela Medina, a gente disputa espaço nas estreitas, e não tão limpas, ruas com uma multidão, e mais motos e carroças. É uma muvuca só.

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Ruas estreitas e movimentadas no souk
Ao longo da Medina, entramos no "souk" (mercado). Uma área com inúmeras lojinhas de tapetes, lustres, especiarias, souvenires, roupas, jóias, caixas de madeira, jogos, produtos de argana, cerâmicas etc. Pechinche tudo, sempre. Se virar as costas e for saindo, os preços vão abaixando, aí dê o seu lance. Mas cuidado, muitos deles tentam enganar. Depois de comprado e pago, cheque a sacola antes de ir embora e veja se está de acordo com o que comprou.

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Tapetes marroquinos
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Especiarias no souk
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Tajines em cerâmica para fazer o autêntico cuscus marroquino
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Lustres marroquinos
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Frutas secas
Atenção também com alimentos e bebidas vendidos por lá. Além da notória pouca higiene, o próprio pessoal do hotel não recomenda que você compre até mesmo água dos ambulantes. Dizem que muitos envazam eles próprios em embalagens usadas e água de procedência desconhecida. Procure um lugar seguro para comprar alimentos e bebidas.

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Apetece comprar aqui?
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Antes de comprar o pão, cheque a higiene das mãos do vendedor e veja se tem coragem
E como dissemos antes, um labirinto. Então, no caso de perder-se, é possível que apareça alguém querendo guiá-lo (por dinheiro, claro) e se você não quiser, ficam insistindo ainda mais e seguindo. Então, mesmo que você diga não em inglês, francês, alemão, eles não ligam e insistem. O único jeito de pararem é fazer expressão de aborrecimento e dizer  (não em árabe), seja firme e seco. Pergunte pela Jemaa el Fna, a praça central da cidade e conhecida por todos. De lá você se vira mais fácil.
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Mapa do "souk" e praça Jemaa El Fna. Note quantas ruas sem saída há por lá
A praça Jemaa El Fna tem uma origem não clara para seu nome. Pode ser "assembléia dos mortos", pois ali executavam criminosos, ou "lugar da mesquita desaparecida" em razão da mesquita almorávida que foi destruída. Ela liga muitas das ruelas do "souk" e é o ponto de encontro dos marroquinos e turistas.

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Panorâmica da Praça Jemaa El Fna
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Praça Jemaa El Fna, centro de Marrakech
Praça Jemaa El Fna com o minarete da mesquita Koutoubia ao fundo
Nela a gente encontra os encantadores de serpentes, o pessoal que pinta hena, macaquinhos domesticados, bandinhas e diversas outras figuras exóticas. Importante avisar que os árabes não gostam de ser fotografados, e se quiser uma foto deles, deve solicitar permissão. Já as figuras da praça Jemaa el Fna adoram as fotos, mas você tem que gratificar por elas.

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Vendedores de água na Praça Jemaa El Fna
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Encantador de serpentes na praça
De lá da praça se vê o minarete da principal mesquita de Marrakech, a Koutoubia (nome derivado que significa bibliotecário, em função dos vendedores de manuscritos que ficavam no seu entorno). O minarete, em estilo almóada, foi a referência para a construção da La Giralda, em Sevilha - Espanha, e pode ser visto de praticamente qualquer lugar de Marrakech. A mesquita foi concluída em 1.158 e tem 17 naves, sendo uma das maiores mesquitas do mundo islâmico.

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Minarete da Mesquita Koutoubia
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Mesquita Koutoubia
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Detalhe de porta da mesquita Koutoubia
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Mesquita Koutoubia
Atrás dela há um grande parque, o Parc Lalla Hasna, onde pode-se encontrar uma sombra para um rápido refúgio.

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Parc Lalla Hasna, atrás da mesquita Koutoubia
Seguindo pela Avenida Mohamed V, cerca de 400 a 500m da mesquita Koutoubia, chega-se ao Mercado de Artesanato. Além das opções de compra, nos encantamos mesmo foi com a decoração do local. Vale o registro e a foto, mesmo que não queira comprar nada.

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Entrada do Mercado de Artesanato
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Detalhe ampliado da entrada do Mercado de Artesanato
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Vista do Mercado de Artesanato

Ainda há muitas outras dicas, lugares, informações e fotos de Marrakech. Veja em Marrakech - Parte II.

Maʿa s-salamah (Tchau)

Veja também   

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